01

FEV

Ao falar em público, muita gente cai neste vício de linguagem sem perceber
Ao falar em público, muita gente cai neste vício de linguagem sem perceber

Em muitos discursos, percebe-se o emprego sequencial de terminadas pelo mesmo som, gerando um vício de linguagem: o Eco. No meio jurídico, é comum esta construção:

“Primeiramente, o contrato não foi efetivamente estabelecido. Infelizmente!”

No lugar de tantas palavras finalizadas em “-mente”, o orador poderia ter refletido sobre outras formas. Por isso, treinar a apresentação – visando à clareza – é vital ao profissional.

São muitos os falantes e os escritores que usam o advérbio “primeiramente”, que pode ser substituído por “antes de tudo” ou “em primeiro lugar”, caso haja a necessidade.

Ao iniciarmos uma fala, tal expressão pode ser dispensada, sem haver prejuízo algum:

“Primeiramente, o dolo corresponde à intenção consciente de induzir alguém a cometer ou manter erro, com prejuízo para ele.”

“Dolo corresponde à intenção consciente de induzir alguém a cometer ou manter erro, com prejuízo para ele.”

Vejamos um outro trecho com Eco:

“A indicação da Comissão de Fiscalização causou comoção na população.”

Com a pesquisa vocabular, pode ser construída nova estrutura:

“Com lista de indicados, Comissão de Fiscalização causa abalo nos eleitores.”

Reescritura, diante da consulta em dicionários, deve ser um exercício constante do redator, jurista, executivo; aumento de vocabulário só vem com muito treino e muita leitura.

Proponho um exercício para quem busca mais clareza ao discursar: redija sobre um simples tema de sua área; grave (áudio e vídeo) sobre esse conteúdo. Feito isso, veja como está a fluência da mensagem: concordância, plurais, singulares, uso de conectivos, repetições, convencimento (didática) e noções sobre o tom imposto.

Com a constância (exercitando-se de segunda a sexta-feira), sua apresentação melhorará muito.

 

Fonte: Exame